
Em Chamas
LolaViola
Sou o teu poema por escrever
Faço do meu corpo o teu papel em branco
Passeio os sonhos como conchas
Navego no teu barco como corpo
Beijo-te os olhos como palavras
Abro as coxas como ondas
Recebo-te como mar
Amo-te como espuma
Sonho-te como nuvem
Seduzo como sereia
Dou-me como fêmea
Sou o teu poema por escrever
O verso que te falta será escrito
Com o teu dedo nos meus lábios
Em silêncio gritado na vaga final.
Revelando-te em meus braços
Fernanda Guimarães
O frêmito do último abraço
desperta a memória do sonho.
O murmúrio da luz do sol,
o surgir tímido do azul,
no infinito que me contempla,
o canto sussurrado dos pássaros,
anunciam a dolência da manhã.
A inquietude da tua falta,
o sobressalto da tua ausência,
abrem-me a porta da saudade.
Revivo a entrega,
como se tudo fosse
mais uma vez possível:
o aventurar de todos os sorrisos,
o meu amor revelado em teu olhar,
o desnudar das minhas vontades
desdobradas por tuas mãos.
Permanece na intimidade do meu olhar,
Todas as palavras e confissões
Pronunciadas em letras de desejo.
Ainda em meus lábios, a convicção do teu nome
Silenciado na cumplicidade da noite.
Em meus olhos, o sentido claro
Daquilo que jamais me dirás.
Nem sempre o que nos habita o peito
Cabe na linguagem das letras,
Tampouco se deixa enclausurar
Na definição de qualquer palavra.
O silêncio é muitas vezes um poema...
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Þarte ðe m¡m
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