
Quando enfim abri os olhos
debruçado sobre ti, eu olhava teus cabelos finos
tão leves, como um tênue mistério em tua nuca...
E o pequenino lóbulo de tua orelha
onde pendurei o brinco do meu beijo.
E fiquei a pensar que estava ali, tão presente
em ti
e nem me vias...
...Tu estavas do outro lado,
em toda parte de minha vida,
e nem sabias...
J. G . de Araujo Jorge
"...- e então preciso de ti
como preciso de ar..."
J. G. de Araújo Jorge

Tu nunca bates no meu pensamento à hora de entrar.
Chegas de repente, invades tudo, e é impossível te expulsar
por que então já sou eu que te procuro.
Não escolhes momento...
por mais que me encontres fechado em mim mesmo
entras pelo pensamento, - clara fresta, vulnerável
às lembranças do teu desejo.
E quando chegas assim, estremeço até regiões ignoradas
me levanto, e saio, sonâmbulo, a te buscar
a caminhar a esmo...
Chegas - como uma crise a um asmático,
- e então preciso de ti
como preciso de ar,
e tenho a impressão de que se não te alcanço,
se não te encontro,
vou morrer, miserável,
como um transeunte nas ruas,
antes que o socorro chegue para salvá-lo...
alcançar-te é um suplício...
J. G. de Araujo Jorge

"O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?..."
Affonso Romano de Sant'Ana
Algún día en cualquier parte,
en cualquier lugar
indefectiblemente te encontrarás a ti mismo,
y ésa, sólo ésa,
puede ser la más feliz
o la más amarga de tus horas.
Pablo Neruda
Por vezes me desconheço,
As tantas me descubro,
Em segredo me revelo,
Com amor me cubro,
De paixão me visto,
Mas do medo: nua!
Na rua ser de ninguém,
E em tudo: tua!
Por ser metade de mim
És minha melhor parte;
Sem literatura, pura arte,
Voraz, faminta, crua!
Cáh Morandi
Deitada
A cabeça no colo dele, os pés em cima do sofá, os joelhos levantados.
A mão dele emaranhada no cabelo dela.
Trocando palavras. Trocando silêncios.
A mão dele desceu na camisola dela.
Levantou-lhe a camisola. Deixou-a descoberta.
Continuaram a falar.
A intimidade de quem ama e conhece e se reconhece no outro.
A mão desapareceu dentro das calças dela.
Ela fechou os olhos. Entreabriu as pernas.
Trocando palavras. Trocando carícias.
Ela levantou as ancas. As mãos dele baixaram-lhe as calças.
Ele segurou a mão dela, beijou-a.
Guiou a mão dela. Pô-la entre as coxas. As ancas que se moviam devagar.
A mão dela entre as coxas. A mão dele sobre a mão dela.
As mãos. Os dois olhando as mãos.
Trocando silêncios. Trocando desejo.
Ela arqueou o corpo. Respirou o nome dele.
Ergueu a mão.
Os dedos na boca dele. Ele lambeu-lhe os dedos.
O sabor dela na boca dele.
Trocando palavras. Trocando silêncios.
Trocando-se. Reencontrando-se.
Encandescente

inspiração??
inspira...
expira...
ah!! ação...
Þarte ðe M¡m
Só tuas mãos
tem o fogo
que ao meu corpo
incendeia...
"Meu amor é assim, sem nenhum
pudor.
Quando aperta eu grito..."
Adélia Prado
Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão-Ferreira
Quero despir-te.
Para quê a roupa se me impede de ver a tua pele?
Deita-te. Assim. Nu.
Deixa-me olhar-te. Decorar-te.
Quero guardar-te nos olhos para te lembrar quando não presente.
Gosto de brincar com os teus pés.
Subir em ti, assim, em carícias lentas.
Gosto da tua pele molhada. De te cobrir de saliva e suor.
Espera.
Deixa que me demore no teu sexo. Que o olhe. Que o desperte.
Enquanto me olhas. Enquanto nos vês.
Enquanto murmuras: - Não pares meu amor.
Deixa-me suspirar. Derramar. Deleitar-me com o teu corpo.
Descobrir a que sabe o teu peito.
Gosto das tuas mãos.
De lamber e morder um a um os teus dedos.
Enquanto te amo. Enquanto me amas.
E dizer na tua boca:
- Vem comigo meu amor.
Brincar contigo...
Posso?
Encandescente

Ondula mansamente a tua língua
de saliva tirando
toda a roupa...
já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.
Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?
Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!
Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!
Maria Teresa Horta
Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho
Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio
Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo
Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo
Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento
Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas
Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.
Maria Teresa Horta

Para sempre é muito tempo...
O tempo não pára!
Só a saudade
é que faz as coisas pararem no tempo.
Mário Quintana

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...
Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...
Estamos um no outro
como se estivéssemos sózinhos...
J.G. de Araújo Jorge

Deito a cabeça no teu peito
Enrolada nos teus braços
E desfio com os dedos na tua pele
As banalidades que fizeram o meu dia
E tudo se torna importante
Porque nada é banal
Quando dito na tua pele
Desfiado no teu peito
Enrolada nos teus braços.
Encandescente in "Encandescente", Colecção Polvo - Poesia

“... Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!", diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morta por teu amor!”
Olavo Bilac

Para meu coração basta teu peito,
para tua liberdade bastam minhas asas...
Pablo Neruda
“E eu só queria que fosse bom, foi incrível”
Marla de Queiroz

...
Não acredites neste breve sono;
Não dês valor maior ao meu silêncio;
E se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
Teus lábios em meus lábios para ouvir...
.
Lya Luft
..sussurrando no teu ouvido...
vem...quero mais...

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Sophia de Mello Breyner Andresen
À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.
Sophia de Mello Breyner Andresen
De mais ninguém, senão de ti, preciso:
Do teu sereno olhar; do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro...
Carlos Queirós
Me empresta seus lábios...
Deixe-os colados aos meus
Me empresta seus olhos...
Deixe-os ver apenas os meus
Me empresta suas mãos...
Deixe-as envoltas em meu corpo
Agora me aperta!
Deixe fluir toda minha energia
Absorva toda a força do meu amor.
...
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Obrigada...
Þarte ðe m¡m
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