
...O melhor amor é aquele que acorda a alma
e nos faz querer mais,
que coloca fogo em nossos corações
e traz paz às nossas vidas,
foi isso que você fez comigo
e era isso que eu queria ter feito com você
pra sempre...
(Diário de uma paixão)
Nicholas Sparks

¬ Rita Apoena ¬
Ana...

"...Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba
o que fazer das minhas…"
¬ Maria Bethania, in Maricotinha ¬
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Breyner Andresen

Olhando nos meus, teus olhos gritavam:
diz, diz que me amas, diz da paixão
que sentes por mim...
Tremendo em silêncio, teus lábios diziam:
beija-me, deixa-me beber teu amor,
passear no teu corpo, fazer-te gozar...
Teus seios eretos, ansiando diziam:
somos teus, para sempre,
suga-nos e bebe nosso sumo de amor!
E à noite, teu corpo tremendo, pedia:
vem e me toma, guarda-te e morre
dentro de mim!
Teu sexo úmido, ansiando, chorava:
vem, te prometo prazeres sem fim,
vem meu amor e renasce em mim!
E eu, surdo da vida e surdo do amor,
não ouvia os teus gritos teu desejo por mim...
E quando o tédio infame, afinal tomou conta
e o descaso doído nos fez companhia,
afinal nossa hora chegou...
E sem gritos nem choros,
sem amor e sem ódios,
sem eu o saber,
levastes minha vida.
E hoje, no imenso vazio,
de um silêncio sem fim,
eu ouço teus gritos
que antes não ouvia...
Artur Ferreira
Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simb�lo do Pecado.
Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.
No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,
Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!
Augusto dos Anjos

Façamos um trato esta noite... não sejamos tão realistas.
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.
Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.
Anjo Hazel

...humm, e esse frio no corpo, vazio de saudade das tuas investidas...
teu toque tão forte, que ainda sinto a pressão que você faz...
e nessas noites vazias sem tua presença. minha pele sente o calor que sempre deixas quando parte...
é como se tuas mãos fizessem parte de mim
Þarte ðe M¡m
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca".
Clarice Lispector

Não tenho mais tempo algum,
ser feliz me consome...
Adélia Prado
É algo de mulher que me fascina
nesse teu jeito etéreo de me amar
como nuvem que a lua descortina
no corpo dos lençóis entre o luar...
É algo de mulher que me alucina
perene amor que mata sem matar
uma parte mulher e outra menina
ditoso amor de meu eclipse lunar...
É algo que me encanta de tal jeito
e sangra sem doer dentro do peito
e alegra-se do sim na dor do não...
E me ama no regresso do menino
homem feito na linha do destino
já transcrito a punhal no coração...
A. Estebanez
A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.
O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.
Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.
(O desejo a consome, o contacto
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)
Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet
(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.
Nálu Nogueira
...Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego...
Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego...
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.
Pablo Neruda

A tua língua tem a consistência da rosa
e o sabor da madrugada.
Ergo-a com a minha em direcção ao céu
e voas no interior da minha boca.
Mordes os meus lábios
e ficas com a boca entumecida e plena.
Se abres a boca deslizo na língua até à garganta:
e sou a loba branca que vem morrer à praia.
Percorro o teu ouvido
como o mar explora as grutas;
procuro nele os búzios, as pedras,
as algas da tua história.
No meu peito as tuas mãos deslizam
e vêem nele uma superfície castanha,
um velho espelho chinês;
mas no teu peito as minhas mãos suscitam
a escultura e a música:
fazem nascer o volume amigo da terra,
os primeiros sonhos da tarde.
Na minha boca ele é manso:
oiço nele a água, a cor do ouro, o silêncio.
A tua pele está agora chegada ao meu rosto
leio nela uma mensagem.
Se sinto nas minhas mãos a curva das tuas coxas,
a grande baía azul do teu ventre descansa;
se me encosto na almofada,
as tuas pernas dobram-se em ângulo recto.
As mãos sobem até ao joelho e descem, depois,
até se imobilizarem na grande rosácea aberta do teu ser.
A minha mão toma agora a forma da ogiva
e lê nas estalactites aromáticas do teu ser
as inscrições e os símbolos que me transmites.
Repouso com a cabeça entre os teus pés
e aperto nos meus a tua cabeça.
Nas tuas mãos sou um unicórnio livre:
elas falam de todo o amor deste mundo
através dos seus cinco sinos.
Quando as tuas mãos guiaram o grande chifre fálico
nas espaçosas paisagens do teu ser
os cisnes espalharam-se sobre o lago
batendo com a cauda.
Eugénio de Andrade
in Variações sobre um Corpo
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Þarte ðe m¡m
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